Cientista que virou mãe fala sobre Desafios da Maternidade

Última atualização: 13/05/2016
Edição de Imagens: DANIELA MARTINS

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Em 2009, em um relacionamento então recente, a bióloga Lígia Moreiras Sena descobriu-se grávida. A partir daí, comum a todas as mulheres surpreendidas com a notícia, começa a busca além dos dicionários: parto, gestação, amamentação, infância? O desejo agora não era compreender o que seria, mas sim como e por que teria de ser como se apresentava às futuras mães. Algumas buscas, porém, apresentavam resultados diferentes dos semanários “disciplinadores”: faça assim, não faça assado. Quase tudo era um conjunto de frases feitas repetidas desde os Guias do bebê. Foram as páginas alternativas, que promoviam os debates que inspiraram Lígia a criar o blog Cientista que Virou Mãe. Começou então, a buscar informações a partir da própria história, a qual foi compartilhada ontem, por videoconferência, para a comunidade dos campi da Unicamp de Campinas e Limeira.

A história, porém, não para por aí, o inconformismo a levou a buscar mudanças, mas como toda pessoa atenta ao todo, não somente para guiar a própria vida, mas o dia-a-dia de muitas mães. Se não todas, pelo menos aquelas que se identificassem com sua causa. Hoje, o número de seguidores, que aumentou de 150 para 5 mil em cinco anos, a idade de Clara – musa desta história – a acompanha na “primeira plataforma brasileira produzida exclusivamente por mulheres mães”, sobre a qual fala com muito orgulho.

A plataforma, construída por força conjunta de mulheres mães ou não, diferentemente de muitas publicações especializadas não tem patrocínio de corporações de iniciativa privada, o que, segundo Lígia, dá liberdade para as autoras publicarem o conteúdo que julgar adequado e necessário para alimentar o leitor de toda e qualquer informação que permita o empoderamento feminino não somente das mães, mas também das mulheres de modo geral. Hoje, a plataforma ainda não garante, a independência econômica das escritoras. Mas só ainda. Estão trabalhando para isso e vão contratar agora em junho 2 colaboradoras não escritoras, uma revisora e uma editora. “Acabamos de contratar mais duas escritoras”, revela.

Outro aspecto importante do site é a atenção à violência contra a mulher e a criança. De acordo com a escritora, doutora em Ciências e doutoranda em Saúde Pública, as publicações conseguiram reduzir consideravelmente as agressões.


Reflexão

“Você tem um doutorado. Não pode desistir. Muitas mães no mundo trabalha e cuida de filhos.” A frase dita por um amigo próximo fez com que Lígia refletisse sobre seu futuro a partir da gravidez. “Não foi confortável, para mim, ouvir aquilo. Por que eu teria de me conformar como toda mulher do mundo?” A insistência em buscar uma solução foi sanada em uma parada no semáforo. “Tenho um blog. 5 mil pessoas por dia o visitam. Mais de 80 mil pessoas me seguem no Facebook. Então vou juntar mulheres que invistam na plataforma. Conseguimos R$ 20 mil, e cheguei para os profissionais e disse que queria a melhor plataforma”, comenta.

Durante o encontro de quinta-feira, foi exibido o vídeo Várias Formas de Ser Mãe, produzido pelas equipes de eventos, comunicação e serviço social do GGBS. A produção reúne depoimentos e fotos de mães da comunidade de Campinas e Limeira.

O evento contou também com a participação do músico Guilherme Lamas e com o samba do grupo Capitães d’Areia, contemplado pelo programa Aluno Artista do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE). O repertório de sambas antigos e contemporâneos, além de canções autorais encerrou o evento Desafios da Maternidade.

 
 
 
ARQUIVO GGBS

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